Year: 2025
Type: article
Abstract: Entre 1941 e 1953, Richard Evans Schultes, considerado o principal nome da etnobotânica, realizou intensa pesquisa de campo entre comunidades indígenas na Amazônia colombiana, peruana e brasileira. Durante esse período, catalogou mais de 1.200 novas espécies botânicas e investigou profundamente os usos culturais e medicinais de plantas com potencial de alteração da consciência. Seu principal interesse de estudo esteve relacionado à Banisteriopsis Caapi, uma videira nativa usada na preparação da Ayahuasca. Em um artigo de 1986, Schultes relatou um enigma intrigante: como os informantes indígenas conseguiam identificar, à distância e sem hesitação, o quimiotipo de diferentes variantes dessa espécie? Neste trabalho, examinamos o enigma de Schultes sob a perspectiva da filosofia da cognição, especialmente a partir das contribuições de Kant e Peirce. Propomos um roteiro investigativo que, através da análise de conceitos-chave da proposta filosófica destes dois autores, nos permita especular possíveis hipóteses para resolução do enigma. No decorrer deste roteiro, consideramos diferentes abordagens sobre a cognição humana, a estética, as possibilidades de expansão cognitiva por meio de artefatos biológicos e divergências e convergências de diferentes concepções epistemológicas. Como conclusão, propomos que, no contexto analisado, a Ayahuasca pode ter sido utilizada por nativos ameríndios como artefato cognitivo com potencial de ampliação das capacidades perceptivas. Assim, em nossa abordagem, o enigma de Schultes se revela não apenas como um desafio etnobotânico, mas como a porta de entrada para a investigação de questões mais amplas sobre o conhecimento humano e suas possibilidades.
Source: Cognitio Revista de Filosofia
Language: Portuguese
Subfield: Plant Science
Domain: Life Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4412892403
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