Year: 2025
Type: article
Abstract: A violência de gênero, sobretudo no âmbito doméstico, apresenta dimensões econômicas que aprisionam mulheres em relações permeadas pela dependência e subordinação.O presente estudo tem como objetivo investigar de que forma a dependência financeira e a sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidado contribuem para a manutenção desse ciclo de violência.A pesquisa se articula às diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em especial à meta de igualdade de gênero, bem como ao artigo 5º da Lei Maria da Penha, que conceitua a violência doméstica como ato ou omissão de natureza de gênero capaz de gerar sofrimento físico, psicológico, sexual, moral ou patrimonial.Para tanto, adota-se uma abordagem quali-quantitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental e levantamento empírico.Dados do IBGE (2022) indicam que, no Brasil, as mulheres dedicaram em média 21,3 horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidado, quase o dobro das 11,7 horas despendidas pelos homens.O recorte racial reforça desigualdades: mulheres pretas ou pardas gastaram, em média, 1,6 hora a mais por semana do que mulheres brancas.Trata-se de um trabalho não remunerado e pouco valorizado socialmente, que limita o acesso das mulheres ao mercado formal, restringe suas carreiras e compromete sua autonomia econômica.No município de Campos dos Goytacazes/RJ, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP/RJ) revelam que, entre 2014 e 2022, 51,7% das vítimas de violência física eram mulheres pretas ou pardas, em grande parte com baixa escolaridade, e que 60,1% dos casos ocorreram dentro da residência, sobretudo aos domingos.Esses números demonstram que a violência doméstica está atrelada a condições estruturais que entrelaçam desigualdades econômicas, raciais e de gênero.A carga invisível do trabalho doméstico, somada à baixa escolaridade e à dependência financeira, restringe a autonomia feminina e reforça a perpetuação da violência.Em Campos, a prevalência de casos entre mulheres negras de baixa escolaridade evidencia como as vulnerabilidades socioeconômicas intensificam esse ciclo, revelando que a violência de gênero também se alimenta da exploração do trabalho feminino e da naturalização de relações de poder desiguais.Conclui-se, assim, que o trabalho invisível que sustenta a vida cotidiana aprisiona as mulheres em um ciclo de dependência, reproduzindo desigualdades e legitimando estruturas assimétricas de poder no espaço doméstico.
Source: Humanas Sociais & Aplicadas
Language: Portuguese
Subfield: Health
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4416221136
FWCI:
Cites:
Cited by:
Related to:
