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Qualidade de vida na esquizofrenia: contributos para a mudança de paradigma

Year: 2018
Type: dissertation
Study design: Observational Study
Abstract: A esquizofrenia é, talvez, a perturbação mental mais devastadora e disfuncional, prejudicando, frequentemente, o desenvolvimento de competências socias e ocupacionais. Os objetivos desta investigação são adaptar e validar para a população portuguesa a Quality of Life Scale (QLS) e estudar a qualidade de vida dos indivíduos com esquizofrenia, analisando a relação entre esta e as características sociodemográficas e clínicas, bem como a satisfação com o suporte social. Inicialmente foram realizadas duas revisões sistemáticas da literatura (estudos 1 e 2) e uma revisão reflexiva (estudo 3), para melhor conhecer o estado da arte. Estas serviram de suporte para o contributo empírico que é constituído por cinco estudos cuja metodologia é de natureza quantitativa, do tipo transversal e correlacional. A amostra global é constituída por 282 indivíduos, de nacionalidade portuguesa, com o diagnóstico de esquizofrenia, sendo 112 (39,7%) do género feminino e 170 (60,3%) do género masculino, com uma média de idades de 46,15 anos (± 13,126). Foram utilizados os seguintes instrumentos de avaliação: questionário sociodemográfico e clínico, WHOQOL-BREF, QLS7PT e Escala de Satisfação com o Suporte Social (ESSS). A análise dos dados recorreu ao uso do SPSS, versão 22.0, tendo sido realizadas análises descritivas e inferenciais. Foram efetuados dois estudos piloto, o primeiro, com 198 participantes que analisou as características sociodemográficas da amostra e verificou a relação entre a coabitação e o grau de satisfação com o suporte social (estudo 4). Já o segundo, com 268 participantes, comparou as características sociodemográficas e clínicas e os resultados da ESSS com a qualidade de vida, utilizando a WHOQOL-BREF (estudo 5). Os estudos 6, 7 e 8 foram realizados com uma amostra de 282 indivíduos. O primeiro, efetuou a adaptação e validação da versão reduzida da Quality of Life Scale (QLS), para a população portuguesa (QLS7PT), que demonstrou boas propriedades psicométricas (estudo 6). O seguinte, analisou a relação entre a qualidade de vida (QLS7PT) e aspetos sociodemográficos e clínicos (estudo 7). O último, avaliou a influência da satisfação com o suporte social na qualidade de vida (QLS7PT) (estudo 8). Em relação aos resultados mais relevantes, verificou-se que o emprego/ocupação é extremamente significativo para a qualidade de vida das pessoas com esquizofrenia. Outros dados indicaram ainda, que esta pode ser influenciada pela coabitação, tempo de doença, idade, escolaridade, medicação com neurolépticos de primeira geração e existência de internamentos anteriores. A evidência dos nossos resultados mostrou ainda que a satisfação com o suporte social, tendo especial destaque a satisfação com os amigos e com a intimidade, está fortemente relacionada com a qualidade de vida. Estes dados estão ainda pouco estudados e são de elevada utilidade e pertinência tanto para a investigação como para a prática clínica. Sendo uma das perturbações mentais mais incapacitantes a nível mental, social e ocupacional, o nosso grande contributo para a mudança de paradigma é a disponibilização da escala QLS7PT para utilização e avaliação nas intervenções em saúde mental e em futuras investigações. Assim, consideramos que é necessária uma intervenção precoce, focalizada em programas de reabilitação psicossocial que englobem o treino de competências sociais e relacionais, tendo em consideração a melhoria dos fatores moldáveis que influenciam a qualidade de vida, como a ocupação e a promoção de redes sociais de apoio estáveis e consistentes, bem como estratégias para a redução do estigma.
Language: Portuguese
Field: Medicine
Open Access status: green
OpenAlex ID: W7070892406
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