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Acidente Vascular Cerebral Agudo Isquêmico Secundário a Angiopatia Mineralizante: Relato De Caso

Year: 2026
Type: article
Study design: Case Report
Abstract: Introdução A angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas é uma entidade clínico-radiológica rara, reconhecida como importante causa de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) dos gânglios da base após traumatismo cranioencefálico (TCE) leve em lactentes e crianças pequenas. Caracteriza-se pela presença de déficit neurológico focal, geralmente hemiparesia, associado a infarto isquêmico dos gânglios da base e calcificações das artérias lenticuloestriadas identificadas na tomografia computadorizada. Apesar de a vasculopatia lenticuloestriada ser observada em até 5% dos recém-nascidos na ultrassonografia transfontanelar, sua associação com AVCI pós-traumático permanece subdiagnosticada, podendo resultar em investigação etiológica extensa e atraso no reconhecimento da condição. Objetivo Relatar um caso de AVCI dos gânglios da base secundário à angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas após TCE leve, destacando seus aspectos clínicos, radiológicos, diagnósticos e evolutivos, além de enfatizar a importância do reconhecimento precoce dessa entidade na prática pediátrica. Material e Métodos Relato de caso, elaborado a partir da revisão do prontuário, exames laboratoriais e estudos de neuroimagem de um paciente pediátrico atendido em hospital terciário. Foram analisados os dados clínicos, a investigação etiológica do AVCI, os achados radiológicos, a conduta terapêutica instituída e a evolução clínica durante o seguimento ambulatorial. Relato do Caso Lactente do sexo masculino, com 21 meses de idade, apresentou hemiparesia direita de instalação súbita aproximadamente oito horas após TCE leve decorrente de queda da própria altura. A ressonância magnética do encéfalo evidenciou infarto isquêmico agudo envolvendo os gânglios da base à esquerda. A tomografia computadorizada demonstrou calcificações bilaterais ao longo das artérias lenticuloestriadas, visualizadas como hiperdensidades puntiformes nas imagens axiais e lineares nas reconstruções coronais e sagitais, achados característicos de angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas. A investigação complementar para outras causas de AVC pediátrico, incluindo doenças infecciosas, hematológicas, trombofílicas, inflamatórias e cardiopatias, não identificou alterações relevantes. Foi iniciado tratamento com ácido acetilsalicílico (AAS), associado à reabilitação motora e acompanhamento neurológico ambulatorial. Resultados Observou-se recuperação progressiva do déficit motor, com remissão completa da hemiparesia durante o seguimento. Após seis meses, o paciente permanecia sem recorrência de eventos cerebrovasculares, sem déficits neurológicos residuais e com desenvolvimento neuropsicomotor compatível com a idade. Discussão e Conclusão A angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas deve ser considerada no diagnóstico diferencial de lactentes e crianças pequenas que apresentam AVCI dos gânglios da base após TCE leve. A correlação entre a história clínica e os achados de neuroimagem, especialmente as calcificações identificadas na tomografia computadorizada, é essencial para o diagnóstico. O reconhecimento precoce dessa entidade evita investigações desnecessárias, orienta o manejo clínico e contribui para melhores desfechos. Apesar do prognóstico geralmente favorável, o seguimento clínico e a prevenção de novos traumatismos permanecem fundamentais devido ao risco de recorrência.
Language: English
Subfield: Epidemiology
Field: Medicine
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223082475
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