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Caracterização Do Infiltrado Imune Intratumoral Em Linfomas Pediátricos Por Citometria De Fluxo Multiparamétrica

Year: 2026
Type: article
Study design: Observational Study
Abstract: Introdução Os linfomas correspondem à terceira neoplasia maligna mais frequente na infância e compreendem um grupo heterogêneo de doenças com características biológicas e imunológicas distintas. A interação entre células neoplásicas e o microambiente tumoral contribui para a evasão imunológica e progressão. Nesse contexto, a citometria de fluxo multiparamétrica (CFM) é uma ferramenta rápida e precisa para caracterização quantitativa das subpopulações imunes no microambiente tumoral. Objetivos Este estudo se propõe a caracterizar e comparar o infiltrado imune intratumoral nos principais grupos de linfomas pediátricos por CFM. Material e métodos Foram avaliados 127 linfonodos de crianças ao diagnóstico (0-19 anos), 70 reacionais e 57 linfomas: linfoma de Hodgkin (LH; n = 34), linfomas não Hodgkin B (LNH-B; n = 12), sendo: linfoma de Burkitt (LB; n = 7), linfoma linfoblástico B (LLB; n = 3) e linfoma difuso de grandes células B (DLBCL; n = 2) e LNH-T; n = 11, sendo: linfoma linfoblástico T (LLT; n = 8) e linfoma anaplásico de grandes células (ALCL; n = 3). As amostras foram analisadas com o painel LST™, seguindo os procedimentos EuroFlow. As subpopulações imunes foram quantificadas excluindo-se as células tumorais, no Infinicyt™. Kruskal–Wallis e Mann–Whitney foram usados para comparações estatísticas, SPSSv27 e os dados são apresentados como mediana e p-valor. Resultados Em comparação aos linfonodos reativos, os LH apresentaram maior frequência de linfócitos T CD4+ (LH: 38,57%; 20,7–85,6% vs . 33,90%; 1,70–75,80%; p = 0,05) e maior relação CD4:CD8 (LH: 3,40; 0,44–17,91 vs . 2,25; 0,20–16,92; p = 0,005), além de menor frequência de T CD4⁻CD8⁻ (LH: 1,3%; 0,16–6,32 vs . 2,35%; 0,01–19,6; p = 0,003).Os LNH-B apresentaram maiores frequências de T CD8⁺ (LNH-B: 33,2%; 5,37–57,53% vs . LH: 13,10%; 3,3–59%; p = 0,007) e T CD4⁻CD8⁻ (LNH-B: 3,6%; 0,7–7,3% vs . LH: 1,3%; 0,16–6,32; p = 0,009), enquanto T CD4:CD8 foi maior no LH (LH:3,40; 0,44–17,91 vs . LNH-B: 1,25; 0,51–3; p = 0,001). A relação CD4:CD8 também foi maior no LH em comparação aos LNH-T (LH: 3,4; 0,44–17,91 vs . LNH-T: 1,54; 0,83–3,3; p = 0,005).Entre os subtipos, o LB apresentou maiores frequências de T totais (LB: 80,20%; 20–95,6% vs. reativos: 50,7%; 4,8–85,47; p = 0,015) e T CD8⁺ (LB: 33,2%; 5,37–57,53% vs . reativos: 15,28; 0,91–34,46%; p = 0,013), além de menor frequência de linfócitos B (LB: 7,50%; 0,34–49,44% vs . reativos: 39%; 0,37–73,12%; p = 0,008). Em relação ao LH, o LB apresentou maiores frequências de linfócitos T CD8⁺ (LB: 33,2%; 5,37–57,53% vs . LH: 14,1%; 3,3–59%; p = 0,012) e linfócitos T CD4⁻CD8⁻ (LB: 3,6%; 0,81–7,3% vs. LH: 1,3%; 0,01–6,32%; p = 0,028), enquanto a relação CD4:CD8 foi maior no LH (LH: 3,4; 0,44–17,91 vs . LB: 1,25; 0,55–3; p = 0,003).Não houve diferenças significativas nos demais subtipos de LNH. Conclusão Embora o aumento de linfócitos T CD4+ e relação T CD4:CD8 já tenha sido descrito em LH, este é um dos estudos pioneiros que compara o perfil do infiltrado imune nos diferentes LNH pediátricos por CFM, descrevendo o predomínio de linfócitos T CD8+ e diminuição de linfócitos B em LNH B. Hipoteticamente, sua produção pode ter sido desviada para gerar linfócitos patológicos. Esses achados complementam as evidências limitadas na população pediátrica, ampliam a compreensão da heterogeneidade do microambiente tumoral e destacam a aplicabilidade da CFM na caracterização do infiltrado imune, cujos perfis podem contribuir para o diagnóstico e, futuramente, para a investigação de seu potencial valor prognóstico.
Language: English
Field: Medicine
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223085448
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