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Escalonamento Ambulatorial De Anticorpos Biespecíficos No Mieloma Múltiplo: Segurança De Um Protocolo Multiprofissional

Year: 2026
Type: article
Abstract: O tratamento do mieloma múltiplo (MM) foi revolucionado pela introdução de anticorpos biespecíficos. Entretanto, o risco de síndrome de liberação de citocinas (SLC) e síndrome de neurotoxicidade associada a células imunes efetoras (ICANS), principalmente durante o escalonamento de dose (step-up), ainda limita sua administração ambulatorial. Estudos com teclistamabe e talquetamabe relatam incidência de SLC de 72% com e 77% respectivamente¹, justificando a recomendação de monitorização hospitalar por 48 horas após cada dose do escalonamento. Descrever a implementação e os desfechos iniciais de um protocolo institucional para escalonamento ambulatorial de anticorpos biespecíficos em pacientes com MM. Foram elegíveis pacientes com ECOG 0-2, função renal, hepática, pulmonar e cardíaca preservadas, cognição íntegra, carga tumoral baixa a moderada, estabilidade hemodinâmica, ausência de infecção ativa, tempo máximo de deslocamento até o centro inferior a 60 minutos e cuidador disponível. O protocolo incluiu acompanhamento multiprofissional, educação de pacientes e cuidadores, fornecimento de relatório para atendimento de urgência, conciliação medicamentosa, manutenção de profilaxias e disponibilidade imediata de tocilizumabe. Todos os pacientes receberam profilaxia com tocilizumabe 8mg/kg intravenoso na primeira dose de escalonamento (D1), dexametasona 16mg no D1 seguida de 16mg/dia por dois dias após cada dose de escalonamento, além de anti-histamínico H1 e antipirético antes de cada administração. No terceiro caso, a dexametasona foi reduzida para 12mg/dia nas doses de step-up devido à comorbidades. A enfermagem realizou monitoramento diário de sinais vitais e aplicação seriada da escala ICE para rastreamento precoce de ICANS, todos completaram as três doses de escalonamento em regime ambulatorial e não houve necessidade de atendimento de urgência, nem hospitalização durante o escalonamento. Três pacientes foram submetidos ao escalonamento ambulatorial. O primeiro (W.A.C.), homem de 83 anos com MM IgG/kappa, havia recebido dez linhas terapêuticas e iniciou teclistamabe em março de 2025. A segunda paciente (M.C.M.M.), mulher de 56 anos com MM IgG/kappa refratário, previamente submetida a dois transplantes autólogos e terapia CAR-T, iniciou talquetamabe após progressão da doença em fevereiro de 2026. O terceiro paciente (A.R.N.), homem de 74 anos com MM IgA/kappa, previamente tratado com teclistamabe, iniciou talquetamabe como quinta linha terapêutica. Nenhum paciente apresentou SLC, ICANS ou evento adverso que exigisse hospitalização durante o período de escalonamento. Nesta série inicial, o escalonamento ambulatorial de anticorpos biespecíficos mostrou-se viável e seguro em pacientes cuidadosamente selecionados quando associado a protocolo multiprofissional estruturado, profilaxia farmacológica e monitorização clínica intensiva. Essa estratégia pode reduzir a necessidade de internação, otimizar a utilização de recursos hospitalares e ampliar o acesso às terapias biespecíficas sem comprometer a segurança dos pacientes.
Language: English
Subfield: Hematology
Field: Medicine
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223085783
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