Desfechos Clínicos E Fatores Prognósticos Da Leucemia Promielocítica Aguda Em Cenário De Prática Real: Experiência De Um Centro Terciário Brasileiro
Year: 2026
Type: article
Study design: Observational Study
Abstract: Introdução A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo da leucemia mieloide aguda caracterizado pelo rearranjo PML::RARA e elevado risco de complicações hemorrágicas. A introdução do ácido all-trans retinoico (ATRA) e do trióxido de arsênio (ATO) transformou seu prognóstico; entretanto, a mortalidade precoce permanece como importante desafio, sobretudo em cenários de prática clínica real. Estudos brasileiros sobre os desfechos desses pacientes ainda são escassos. Metodologia Estudo observacional retrospectivo, unicêntrico, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, incluindo pacientes com diagnóstico confirmado de LPA atendidos entre 2015 e 2025. Foram avaliadas características clínicas, laboratoriais, terapêuticas e desfechos por análise descritiva e univariada. A sobrevida global (SG) foi estimada por Kaplan-Meier e comparada pelo teste de Log-rank. Resultados Foram incluídos 22 pacientes, com idade média de 42,7 anos; 68,2% eram do sexo feminino. Quanto a estratificação de risco, 50% apresentavam baixo risco, 18,2% risco intermediário e 31,8% alto risco. Todos receberam tratamento específico, sendo 65% tratados com ATO+ATRA e 35% com IDA+ATRA. A mortalidade precoce foi de 13,6%, incluindo óbitos antes do tratamento específico. A SG foi de 68,2%, com mediana estimada de 96,9 meses. Dezesseis pacientes desenvolveram síndrome de diferenciação e a mediana para remissão completa foi de um mês. Não houve diferença na SG entre os protocolos (p=0,708). Na análise univariada, apenas maior percentual de blastos mieloides (p=0,0153) e menores níveis de fibrinogênio ao diagnóstico (p=0,0453) associaram-se a pior prognóstico. Discussão e conclusão Nesta coorte de prática real, a SG foi inferior à observada no estudo APL0406, no qual pacientes tratados com ATO+ATRA apresentaram sobrevida superior a 95%. Em contrapartida, nossos resultados aproximam-se dos registros norte-americanos de prática real, que demonstram maior mortalidade precoce e piores desfechos em pacientes idosos e com maior carga de comorbidades. A mortalidade precoce de 13,6% reforça que o reconhecimento imediato da LPA e o início precoce do ATRA permanecem determinantes para o prognóstico. Embora a SG tenha sido numericamente superior com ATO+ATRA, a ausência de diferença estatística provavelmente decorre do pequeno tamanho amostral e da utilização preferencial de IDA+ATRA em pacientes de maior risco. A associação entre maior percentual de blastos mieloides e hipofibrinogenemia ao diagnóstico com pior prognóstico reforça o potencial valor desses marcadores na estratificação prognóstica inicial. Apesar das limitações do delineamento retrospectivo e do reduzido tamanho amostral, este estudo amplia o conhecimento sobre os desfechos da LPA em prática real e reforça a importância da identificação precoce de fatores clínico-laboratoriais associados à evolução desfavorável.
Institution: D’Or Institute for Research and Education
Language: English
Subfield: Molecular Biology
Domain: Life Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223090911
