Blinatumomabe Em Primeira Linha Na Lla-b Pediátrica: Uma Estratégia Eficaz Nos Cenários De Toxicidade Grave Na Terapia Convencional
Year: 2026
Type: article
Study design: Case Report
Abstract: Introdução A incorporação do blinatumomabe à primeira linha da LLA-B pediátrica é uma das principais mudanças terapêuticas da última década, respaldada pelos estudos COG AALL1731 e AIEOP-BFM 2017. No Brasil, sob o GBTLI LLA 2021, seu uso em primeira linha ainda é incipiente, sobretudo como resgate diante da inviabilidade da quimioterapia citotóxica por toxicidade grave, cenário pouco descrito e potencialmente inovador. Objetivo Descrever série de três casos de LLA-B pediátrica tratados sob o GBTLI LLA 2021, nos quais o blinatumomabe foi incorporado em primeira linha como consolidação pré-D49 diante de toxicidade grave impeditiva da quimioterapia convencional, com ênfase na resposta molecular e segurança do esquema. Relato dos casos Três meninos, mediana de idade 2,7 anos, de 1a11m a 13a, dois com LLA-B comum e um pré-B, com punção lombar traumática sem blastos, foram tratados sob o GBTLI LLA 2021. Caso 1, risco inicial intermediário, com a 2ª fase indutória inviabilizada por síndrome hemofagocítica secundária, com choque séptico de foco abdominal, insuficiência renal dialítica e disfunção biventricular. O blinatumomabe substituiu a fase citotóxica; DRM por citometria de fluxo (CF) de 0,1% pós-blinatumomabe, porém inferior a 0,01% após MTX-HD na consolidação seguinte. Caso 2, alto risco, DRM de 5,48% no D19: consolidação interrompida por complicação cirúrgica abdominal, com microperfurações colônicas, peritonite e fístula, em paciente desnutrido. O blinatumomabe foi suspenso precocemente por neurotoxicidade dose-limitante, com crises e ICANS; DRM inferior a 0,01%, após recuperação clínica e retomada com MTX e mercaptopurina. Caso 3, com lesão de partes moles extradural craniana, DRM CF de 35% no D19, alto risco: MTX-HD inviabilizado por candidíase hepatoesplênica disseminada, exigindo esplenectomia de urgência. Indicação híbrida, poupando mielotoxicidade e tratando DRM de 0,34%; resposta profunda, com DRM inferior a 0,01% já no D14 do primeiro ciclo, atribuível ao blinatumomabe, em três ciclos bem tolerados. Todos alcançaram remissão morfológica no D49; apenas o Caso 2, limitado pela toxicidade ao blinatumomabe, obteve DRM inferior a 0,01% após retomada da quimioterapia de consolidação, pela impossibilidade de manter o fármaco. Não houve recaída, TCTH ou óbito. Discussão A série ilustra o uso pioneiro do blinatumomabe em primeira linha no cenário brasileiro, motivado pela inviabilidade da quimioterapia frente a toxicidades infecciosa, cirúrgica e fúngica, não pela DRM isoladamente. Os achados convergem com o COG AALL1731 e o AIEOP-BFM 2017, que mostraram maior profundidade de resposta e menor risco de recaída com blinatumomabe na consolidação, além de menor toxicidade hematológica cumulativa. O Caso 2 é o contraponto de segurança, com neurotoxicidade dose-limitante que exigiu suspensão definitiva. Conclusão O uso do blinatumomabe em primeira linha, como alternativa de consolidação para linhagem B, dentro do GBTLI LLA 2021, mostrou-se estratégia inovadora e eficaz no cenário brasileiro, com resposta molecular profunda e desfechos favoráveis mesmo diante de toxicidade grave que inviabilizaria a quimioterapia convencional. A neurotoxicidade dose-limitante em um caso reforça a vigilância individualizada. A incorporação da imunoterapia em primeira linha agrega maior profundidade de resposta, sobretudo em complicações infecciosas, metabólicas e cirúrgicas, sem comprometer o prognóstico ou o risco de recaída.
Language: English
Subfield: Hematology
Field: Medicine
Domain: Health Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223102456
