Impacto Do Intervalo Prolongado Entre Coleta E Processamento Na Recuperação Celular Pós-descongelamento De Sangue De Cordão Umbilical: Relato De Caso
Year: 2026
Type: article
Abstract: Introdução A qualidade de produtos de terapia celular é influenciada por fatores relacionados à coleta, processamento e criopreservação. Entre eles, o intervalo entre coleta e processamento constitui etapa crítica, sendo recomendado pelas diretrizes nacionais e internacionais que esse período seja, preferencialmente, inferior a 48 horas. O prolongamento desse intervalo pode favorecer alterações celulares antes da criopreservação, refletindo na recuperação pós-descongelamento. Entretanto, a avaliação da qualidade do produto deve considerar não apenas a recuperação de células nucleadas totais (CNT), mas também parâmetros funcionais, como a viabilidade celular e a viabilidade de células CD34+. Objetivo Avaliar, por meio de um relato de caso retrospectivo, os efeitos de um intervalo prolongado entre coleta e processamento (56 horas e 46 minutos) sobre a recuperação de CNT e a viabilidade de células CD34+ após descongelamento e retirada de dimetilsulfóxido (DMSO) de uma unidade de sangue de cordão umbilical aparentado (SCUP). Material e métodos Foi realizada análise retrospectiva dos registros laboratoriais de uma unidade de SCUP processada 56 horas e 46 minutos após a coleta, intervalo superior ao limite de 48 horas recomendado pelas diretrizes. Após a criopreservação, a unidade foi descongelada e submetida à retirada de DMSO por centrifugação. Foram avaliadas a contagem de células nucleadas totais, recuperação celular após a lavagem, viabilidade celular global, contagem e viabilidade de células CD34+ e presença de debris celulares por citometria de fluxo. Resultados As CNT reduziram de 8,52 × 10⁸ para 3,31 × 10⁸ após o descongelamento e retirada de DMSO, correspondendo a recuperação de 38,85% e perda aproximada de 61%. A perda celular no sobrenadante foi mínima (0,82% da CNT final), indicando que a redução observada não foi decorrente do processo de lavagem. A análise por citometria de fluxo evidenciou presença relevante de debris celulares. Apesar da redução da CNT, a viabilidade celular global permaneceu em 88,20%, representando recuperação de 92,21% em relação ao pós-processamento (95,65%). Foram identificadas 2,35 × 10⁶ células CD34+ viáveis, com viabilidade de 64,20%, demonstrando preservação da fração funcional do enxerto. Considerando o intervalo entre coleta e processamento superior ao recomendado, esses achados são compatíveis com a hipótese de maior fragilidade celular antes da criopreservação, conforme descrito na literatura, embora não permitam estabelecer relação causal. Conclusão Neste relato de caso, o processamento realizado após 56 horas e 46 minutos da coleta esteve associado à baixa recuperação de células nucleadas totais após o descongelamento, acompanhada por elevada presença de debris celulares. Entretanto, a viabilidade celular global e a preservação da população de células CD34+ viáveis permaneceram satisfatórias, sugerindo manutenção dos principais parâmetros laboratoriais relacionados à funcionalidade do produto. Os resultados reforçam a importância do cumprimento dos intervalos recomendados entre coleta e processamento e evidenciam que, na avaliação pós-descongelamento, a viabilidade celular e a viabilidade de células CD34+ constituem indicadores mais robustos da qualidade do produto do que a recuperação isolada de células nucleadas totais.
Language: English
Subfield: Hematology
Field: Medicine
Domain: Health Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223105831
