Dessensibilização À Pegasparaginase Em Pacientes Pediátricos Com Leucemia Linfoblástica Aguda: Experiência De Um Centro Brasileiro
Year: 2026
Type: article
Study design: Case Report
Abstract: Introdução A pegasparaginase é um dos principais componentes terapêuticos da leucemia linfoblástica aguda (LLA) pediátrica. Entretanto, reações de hipersensibilidade podem comprometer a continuidade do tratamento. A dessensibilização representa uma alternativa para manutenção da terapia, porém sua efetividade deve ser avaliada não apenas pela ausência de reações clínicas, mas também pela manutenção da atividade enzimática da asparaginase. Objetivo Descrever os desfechos clínicos e laboratoriais de pacientes pediátricos com LLA submetidos à dessensibilização à pegasparaginase após episódios de hipersensibilidade. Material e Métodos Série retrospectiva de casos realizada em um centro oncológico brasileiro. Foram incluídos pacientes pediátricos com LLA tratados conforme protocolo do Grupo Brasileiro de Tratamento da Leucemia na Infância que apresentaram hipersensibilidade à pegasparaginase e foram submetidos à dessensibilização. Foram avaliadas características clínicas, manifestações de hipersensibilidade, protocolos empregados, ocorrência de eventos adversos durante a dessensibilização e atividade sérica da asparaginase após o procedimento. Estudo aprovado pelo CEP sob CAAE n° 94940325.4.0000.5434. Resultados Foram incluídos três pacientes pediátricos do sexo masculino, com idade entre 3 e 10 anos, sendo dois diagnosticados com LLA de células B e um com LLA-T. As reações de hipersensibilidade ocorreram na segunda exposição à pegasparaginase em dois pacientes e na quarta exposição em um paciente, manifestando-se por sintomas respiratórios, edema facial, rash cutâneo, náuseas e vômitos, com necessidade de interrupção imediata da infusão e tratamento de suporte. Todos os pacientes foram posteriormente submetidos a protocolos de dessensibilização com diluições seriadas progressivas da pegasparaginase, associados à pré-medicação com anti-histamínicos, antagonista H2, montelucaste, paracetamol e imunoglobulina humana intravenosa. Ao todo, foram realizados sete procedimentos de dessensibilização, todos concluídos com administração integral da dose, sem recorrência de reações graves, necessidade de interrupção do protocolo ou eventos que impedissem a continuidade do tratamento. A monitorização da atividade sérica da asparaginase demonstrou manutenção de níveis terapêuticos em dois pacientes, corroborando a efetividade da estratégia. Em um paciente, entretanto, foram identificados níveis persistentemente subterapêuticos, compatíveis com inativação silenciosa, evidenciado a importância da avaliação laboratorial complementar após a dessensibilização. Discussão A dessensibilização mostrou-se uma estratégia segura e eficaz para possibilitar a continuidade da terapia com pegasparaginase. Entretanto, a monitorização da atividade sérica acrescentou informações relevantes à avaliação clínica, permitindo confirmar a efetividade farmacológica da dessensibilização na maioria dos pacientes e identificar um caso de inativação silenciosa, reforçando seu papel na individualização da conduta terapêutica. Conclusão A dessensibilização permitiu a manutenação da terapia com pegasaparaginase em todos os pacientes avaliados, com preservação da atividade enzimática na maioria dos casos. Os achados reforçam que a monitorização da atividade sérica da asparaginase constitui ferramenta complementar essencial para confirmar a efetividade da dessensibilização, identificar precocemente a inativação silenciosa e subsidiar decisões terapêuticas individualizadas.
Language: English
Subfield: Hematology
Field: Medicine
Domain: Health Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223108183
