Influência Do Grupo Sanguíneo Abo Na Resposta Laboratorial À Transfusão De Plasma Fresco Congelado
Year: 2026
Type: article
Study design: Observational Study
Abstract: Introdução Indivíduos do grupo sanguíneo O apresentam concentrações plasmáticas naturalmente menores do fator de von Willebrand (FvW) e do fator VIII quando comparados aos grupos não O, proteínas fundamentais para a hemostasia. Embora essas diferenças fisiológicas possam influenciar a reposição dos fatores de coagulação após a transfusão de plasma fresco congelado (PFC), ainda não está estabelecido se repercutem na resposta laboratorial observada na prática clínica. A comparação da resposta entre grupos sanguíneos pode contribuir para validar as estratégias transfusionais atualmente baseadas na compatibilidade ABO. Objetivo Avaliar a influência do grupo sanguíneo ABO sobre a resposta laboratorial à transfusão de plasma fresco congelado, por meio da comparação dos parâmetros de coagulação antes e após a transfusão entre pacientes dos grupos O e não O. Material e métodos Estudo retrospectivo, observacional e analítico, realizado a partir da avaliação de 367 resultados de coagulogramas de pacientes submetidos à transfusão de PFC em 2026 no Serviço de Hemoterapia do Hospital São Vicente de Paulo, Passo Fundo (RS). As análises estatísticas foram realizadas no software Jamovi. A normalidade das variáveis contínuas foi avaliada pelo teste de Shapiro-Wilk. A comparação entre os parâmetros laboratoriais pré e pós-transfusão foi realizada pelo teste de Wilcoxon para amostras pareadas, sendo estimado o tamanho do efeito pela correlação bisserial de ordens. Para avaliar a influência do grupo ABO, foi calculada a variação (Δ = pós − pré) de cada parâmetro, comparando-se os grupos O e não O pelo teste t de Welch, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados A transfusão de PFC promoveu melhora significativa do Tempo de Protrombina (TP; p = 0,026; r = 0,16), do Tempo de Tromboplastina Parcial ativada (TTPa; p < 0,001; r = 0,24) e da Razão Normalizada Internacional (INR; p = 0,015; r = 0,17), todos com pequeno tamanho de efeito. A Atividade de Protrombina (AP) não apresentou alteração significativa (p = 0,922). Na comparação da magnitude da resposta laboratorial (Δ pós−pré), não foram observadas diferenças entre pacientes dos grupos O e não O para TP (p = 0,415), INR (p = 0,283), TTPa (p = 0,503) e AP (p = 0,917). Discussão Apesar das diferenças fisiológicas conhecidas entre indivíduos dos grupos O e não O quanto aos níveis de FvW e fator VIII, não foram observadas diferenças na resposta laboratorial após a transfusão de PFC. Esses achados sugerem que, quando respeitados os critérios de qualidade dos PFC e compatibilidade ABO estabelecidos nas normativas hemoterápicas, o grupo sanguíneo do receptor não exerce influência detectável sobre a resposta laboratorial ao PFC. Como limitações, destacam-se o delineamento retrospectivo e a ausência da dosagem direta dos fatores de coagulação, restringindo a avaliação aos testes globais da coagulação. Conclusão A transfusão de plasma fresco congelado promoveu melhora significativa do TP, TTPa e INR, sem diferenças na magnitude da resposta laboratorial entre pacientes dos grupos sanguíneos O e não O. Os resultados reforçam que a utilização do PFC conforme as normativas vigentes de compatibilidade ABO proporciona resposta laboratorial semelhante entre os diferentes grupos sanguíneos, corroborando a adequação das práticas transfusionais atuais.
Institutions: Universidade de Passo Fundo, Hospital São Vicente de Paulo
Language: English
Subfield: Biochemistry
Field: Medicine
Domain: Health Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223120704
