Quimioterapia Intensa Versus Não Intensa Em Pacientes Idosos Com Leucemia Mieloide Aguda: Experiência De Vida Real De Um Hospital Universitário Brasileiro
Year: 2026
Type: article
Study design: Observational Study
Abstract: Introdução A leucemia mieloide aguda (LMA) é uma neoplasia hematológica agressiva cuja incidência aumenta com a idade. O tratamento de pacientes idosos é desafiador devido à maior frequência de comorbidades e fragilidade clínica. Recentemente, esquemas menos intensivos associados ao venetoclax ampliaram as opções terapêuticas para essa população. Objetivo Comparar características clínicas, resposta ao tratamento e sobrevida de pacientes com mais de 60 anos diagnosticados com LMA e tratados com quimioterapia intensa ou não intensa em um hospital universitário. Materiais e métodos Estudo de coorte retrospectiva realizado no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), incluindo pacientes com LMA tratados entre 2016 e 2026. Os dados foram obtidos por revisão de prontuários. Características demográficas, clínicas e terapêuticas foram analisadas por estatística descritiva. A Sobrevida Global (SG) e a Sobrevida Livre de Evento (SLE) foram estimadas pelo método de Kaplan-Meier e comparadas pelo teste de log-rank. Resultados Foram identificados 61 pacientes com LMA, dos quais 27 tinham mais de 60 anos. Destes, 37% eram mulheres e 48% apresentavam LMA de novo. O cariótipo não foi realizado ou não estava disponível em 59% dos casos, a biologia molecular não foi avaliada em 37% e nenhum paciente realizou sequenciamento de nova geração. Entre os casos avaliados, predominou o risco citogenético intermediário. Onze pacientes (40%) receberam quimioterapia intensa com esquema 7+3 e 16 (60%) quimioterapia não intensa, sendo oito tratados com azacitidina e venetoclax e oito com citarabina em baixa dose e venetoclax. Os pacientes tratados com quimioterapia não intensa apresentavam idade mediana superior (70 versus 65 anos) e maior frequência de comorbidades (94% versus 46%). Apesar disso, a taxa de remissão completa foi semelhante entre os grupos (43% versus 36%). A mortalidade durante a indução foi menor entre os pacientes tratados com quimioterapia não intensa (6% versus 45%). A mediana de SG foi de 9,5 meses (IC95%: 2,8–16,2) no grupo não intenso e de 2,5 meses (IC95%: 0–7,1) no grupo intenso, sem diferença estatisticamente significativa (p=0,85). Discussão Apesar da idade mais avançada e da maior carga de comorbidades, os pacientes tratados com esquemas não intensivos apresentaram menor mortalidade precoce, taxas de remissão semelhantes e maior mediana de SG. A ausência de significância estatística provavelmente reflete o reduzido tamanho amostral e as limitações inerentes ao desenho retrospectivo. A elevada proporção de pacientes sem caracterização citogenética e molecular evidencia desafios diagnósticos ainda presentes na prática assistencial do SUS. Conclusão Nesta coorte de vida real, esquemas não intensivos associados ao venetoclax apresentaram menor mortalidade na indução e eficácia semelhante à quimioterapia intensa, mesmo em pacientes mais idosos e com maior número de comorbidades. Embora sem diferença estatística em SG, observou-se ganho absoluto de 7 meses na mediana de sobrevida. Os resultados reforçam a importância da ampliação do acesso a terapias inovadoras no SUS. A recente incorporação da associação azacitidina e venetoclax representa um avanço relevante para promover maior equidade no tratamento da LMA no Brasil.
Authors: Juliana Machado de Oliveira CALDAS, Sara Jacintho SILVA, Camila Gonçalves PESSANHA, Laura Paixao RESENDE, Mauricio Garcia Ferreira AVILA, Renata Lyrio Rafael BAPTISTA, Ana Carolina De Azevedo Araujo LIMA, Ana Carolina De Almeida Silveira Carneiro LEAO, Laura Alves NUNES, Melissa Silva DIBAI
Institution: Hospital Universitário Pedro Ernesto
Language: English
Subfield: Hematology
Field: Medicine
Domain: Health Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223122571
