Desafios Terapêuticos E Fragilidade Tecidual No Xeroderma Pigmentoso: Superando a Quimiossensibilidade Na Lma Com Regimes De Baixa Intensidade
Year: 2026
Type: article
Study design: Case Report
Abstract: Introdução O xeroderma pigmentoso (XP) é uma genodermatose rara, autossômica recessiva, decorrente de deficiência no reparo por excisão de nucleotídeos. Além da predisposição clássica a neoplasias cutâneas e oculares, a instabilidade genômica inerente ao XP confere risco de neoplasias hematológicas, como a leucemia mieloide aguda, estimado em 10 a 20 vezes superior ao da população geral. O gene XPC atua no reconhecimento do dano no reparo global do genoma. Relato de caso Adolescente de 17 anos, portadora de XP subtipo XP-C, apresentou-se com leucopenia e posterior pancitopenia. O mielograma revelou 47,6% de blastos mieloides granulares, com nucléolos evidentes. A imunofenotipagem confirmou população blástica mieloide, positiva para CD33, MPO, CD34, CD117, CD38 e HLA-DR, negativa para marcadores linfoides e monocíticos. O cariótipo mostrou linhagem feminina normal 46,XX, com uma metáfase adicional anormal contendo 45 cromossomos, incluindo um cromossomo derivativo der(11) e monossomia do cromossomo 22. O FISH foi negativo para rearranjos típicos de LMA. O NGS identificou variante pontual em IDH1, indel em RUNX1 com frequência alélica variante inferior a 40%, e variante pontual em PHF6, sem outras mutações de tipo secundário nem citogenética complexa. Pela OMS-5ª edição, a doençanão preenche critérios de LMA relacionada à mielodisplasia, nem por mutação nem por citogenética, sendo classificado como LMA definida por diferenciação, sem maturação. Sem doença extramedular; líquor com punção traumática, sem células neoplásicas. Iniciou-se regime de baixa intensidade com azacitidina 75 mg/m²/dia por 7 dias e venetoclax 200 mg/dia por 14 dias. Após intercorrência por neutropenia febril e bacteremia, a reavaliação medular demonstrou remissão morfológica completa, com doença residual mínima negativa por citometria de fluxo. A paciente encontra-se atualmente no 4° ciclo de tratamento, mantendo DRM negativa por citometria de fluxo. Discussão A escolha terapêutica em pacientes com XP constitui desafio, pois a quimioterapia citotóxica convencional à base de citarabina frequentemente resulta em toxicidades múltiplas e risco de óbito precoce. A discordância classificatória entre ICC e OMS-5ª edição ilustra as limitações dos critérios atuais diante de um perfil mutacional isolado em RUNX1, sem os demais marcadores de mielodisplasia associada, reforçando a interpretação integrada entre morfologia, imunofenotipagem e biologia molecular. A inclusão do venetoclax, inibidor seletivo de BCL-2, é fundamentada por seu mecanismo de indução de apoptose via ativação de caspases, contornando a dependência exclusiva de vias de dano direto ao DNA deficitárias nestes pacientes. Terapias alvo-específicas podem superar a quimiorresistência em subtipos genéticos de alto risco. Conclusão Há associação rara entre XP-C e leucemia mieloide aguda, demonstrando de forma inédita a eficácia de regimes de baixa intensidade mesmo diante de perfil mutacional de alto risco e resposta sustentada até o 4° ciclo de tratamento. O caso reforça que a personalização terapêutica, integrando agentes hipometilantes, inibidores de BCL-2 e caracterização molecular por NGS, representa estratégia segura para remissão profunda em síndromes de instabilidade genômica crônica, e evidencia a urgência de diretrizes específicas para leucemias em portadores de XP.
Authors: Lara Cristina Moreira MARQUES, Alliny Oliveira Carvalho GALVAN, Bárbara Pinto NASR, Isabella Tomé Sant'anna SANDOVAL, Nancy Silva SANTOS, Elizabete DELBUONO, Francine Tesser GAMBA, Thais Biude MENDES, Juliana Thomazini Gouveia de LIMA, Michele Gaboardi de Carvalho PIRES, Veridiana MUNFORD, Ligia Pereira CASTRO, Carlos Frederico Martins MENCK, Ana Virginia Lopes de SOUSA
Language: English
Subfield: Hematology
Field: Medicine
Domain: Health Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223151068
