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Avaliação De Hematopoese Clonal Antes E Após O Transplante De Células Progenitoras Hematopoéticas Alogênico Para Tratamento Da Doença Falciforme

Year: 2026
Type: article
Study design: Observational Study
Abstract: Introdução O transplante de células-progenitoras hematopoéticas (TCPH) alogênico é uma terapia curativa para a doença falciforme (DF). A hematopoese clonal (HC) é caracterizada pela presença de mutações somáticas (HC de potencial indeterminado [CHIP]) ou alterações cromossômicas em mosaico (mCAs) em células progenitoras hematopoéticas e tem sido associada a um risco aumentado de neoplasias. O impacto do TCPH sobre a dinâmica da HC em pacientes com DF permanece pouco elucidado. Objetivo Avaliar a prevalência e a evolução de HC, incluindo CHIP e mCAs autossômicas (auto-mCAs), antes e após o TCPH alogênico em pacientes com DF. Métodos Foram incluídos 55 pacientes com DF (44 SS, 9 Sβ⁰, 2 SC; mediana de idade de 13 anos [2-35]) submetidos ao TCPH alogênico aparentado (51 HLA idêntico, 4 haploidêntico). O DNA de sangue periférico foi obtido de todos os pacientes e de 34 doadores antes do TCPH. Todos os pacientes tiveram uma segunda amostra coletada um ano pós-TCPH e 26 pacientes tiveram uma terceira amostra de seguimento a longo prazo (6 anos [2–14]). O sequenciamento direcionado com correção por UMI utilizou um painel customizado de 50 genes mieloides na plataforma NovaSeqXPlus, com profundidade-alvo de 10.000 × e cobertura média de consenso pós-colapso por UMI de 1.928 × . CHIP foi definida como variantes somáticas com frequência alélica (VAF) ≥ 1% e < 50%. Auto-mCAs, definidas como ganhos, perdas ou perda neutra de heterozigosidade > 50 kb e presentes em < 100% das células, foram avaliadas em 34 pacientes (pré-TCPH e na amostra de longo prazo) e em 32 doadores, por Infinium GDA. As CHIPs e as auto-mCAs foram classificadas como clinicamente relevantes (Tier 1/2), de acordo com as diretrizes AMP/ASCO/CAP (PMID: 27993330, 31138931). Resultados O regime de condicionamento foi mieloablativo em 52 pacientes. O tempo de seguimento após o TCPH foi de 2 anos (1–14) e, ao final do seguimento, 52 pacientes estavam vivos, 8 tiveram falha de enxertia secundária, 18 tiveram doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) aguda e 8 tiveram DECH crônica. O total de variantes identificadas antes da classificação foi de 56, 58 e 18 em 56%, 64% e 50% dos pacientes pré-TCPH, 1 ano pós-TCPH e no seguimento a longo prazo, respectivamente; 40 variantes em 73,5% dos doadores. Considerando-se apenas as variantes clinicamente relevantes, foram identificadas CHIPs (Tier 1/2) em 4 pacientes pré-TCPH (VAF mediana 1%): ATM p.V278Sfs42 e p.S274Ffs8; ASXL1 p.G1154S; NOTCH1 p.C1454Sfs127 e p.E1456Afs22; e RUNX1 p.E422delinsGR*. Pós-TCPH, foram identificadas ASXL1 p.G1154S e DNMT3A p.F751Pfs*29 em 2 pacientes. Pré-TCPH, foram detectadas 13 auto-mCAs (4 Tier 1 e 9 Tier 2) em 8/34 (23,5%) pacientes, sendo que 12 desapareceram pós-TCPH. Pós-TCPH, 12 auto-mCAs (Tier 2) foram identificadas em 10/34 (29%) pacientes, sendo que 1 auto-mCA estava presente no pré-TCPH, 4 foram derivadas do doador e 7 surgiram de novo. Quatro doadores apresentaram 6 auto-mCAs (Tier 2) e nenhum paciente apresentou CHIP e auto-mCA concomitantemente pós-TCPH. Conclusão A HC clinicamente relevante foi um evento incomum após o TCPH, reforçando o uso do TCPH alogênico como terapia curativa segura para tratamento da DF. Estudos prospectivos com maior casuística e com maior seguimento serão necessários para esclarecer o impacto clínico da HC após o TCPH em DF a longo prazo.
Language: English
Field: Medicine
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W7223156027
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