Year: 2012
Type: article
Abstract: As sociedades têm conhecido, através do tempo, modalidades diversas de diferenciação social.A total igualização das condições de existência, ora objectivo de alguns regimes políticos, ora ideal de certas construções doutrinais, pertence à mera utopia e projecta-se ou num passado original ou num futuro idílico.Nas sociedades históricas, a realidade social apresenta-se, nas suas modalidades mais conhecidas, sob a forma de castas, de grupos de status ou de classes.Esta diferenciação nem sempre é sentida como injusta.Quando a maioria da população se encontra imersa na pobreza, como acontece na sociedade tradicional, a vida não oferece alternativas.Suporta-se passivamente, como se de um destino se tratasse.A situação altera-se quando a penúria se reduz a uma minoria ou não abarca a grande maioria e se torna manifesta sobretudo em situações conjunturais de depressão económica.A pobreza, nos países da opulência, tem algo de excepcional e, por isso, desperta uma inquietação particular, quer entre os responsáveis políticos, quer nas camadas sociais favorecidas.Deixando de lado a análise expressa e sistemática das relações entre pobreza e justiça social -segundo J. K. Galbraith, «o fim da injustiça não é necessariamente, nem mesmo costuma ser, o fim da pobreza» 1 -, embora esta questão aflore ao longo deste trabalho, vamos concentrar-nos no estudo dos mecanismos e das formas de pauperização na sociedade contemporânea, no contexto da Europa ocidental e com incidência sobre Portugal.A sociologia da exclusão social é essencialmente uma sociologia da dependência e da privação dos diversos níveis de poder, quer o problema se ponha em termos de desenvolvimento mundial, quer ao nível de potenciação dos recursos no interior de um país.
Author: António Teixeira Fernandes
Language: Portuguese
Subfield: General Social Sciences
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: green
OpenAlex ID: W79396466
