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Do Amor Em Vidro: António Maria Lisboa

Year: 2005
Type: article
Abstract: IntroduçãoAma como a estrada começa.Mário Cesariny Falar sobre Surrealismo implica delinear, antes de tudo, uma trajetória em meio aos vários e vastos sentidos que essa palavra compreende.O termo foi criado em Paris por Apollinaire, em 1917, para descrever um balé e uma peça de teatro.Em uma homenagem póstuma a seu criador, André Breton e Philippe Soupault assimilaram-no, como narra Breton no "Manifesto do Surrealismo", de 1929, para nomear seu movimento, seu "novo modo de expressão pura", que precisava ser compartilhado com amigos (Breton, 2001: 39).De fato, o Surrealismo tornou-se um amplo movimento de vanguarda, que, irradiado a partir, principalmente, da França, acabou por originar diversas manifestações afins em outros países.Em Portugal, apesar da existência de vários ecos, marcando já a influência do movimento francês, o surgimento de uma corrente de vanguarda sob o signo do Surrealismo foi tardio.Data de 1947 o início de atividades coletivas diretamente geradas pela proposta de Breton, com o aparecimento do Grupo Surrealista de Lisboa.A esse tempo, a denominação de surrealista já havia passado a designar principalmente uma atitude perante o mundo, não só artística, mas que se estendia ao âmbito da vida social, política, pessoal, como valor a ser afirmado nos homens e pelos homens.Não podia mais ser aceita a separação entre o vivido e o criado, entre realidade e sonho, ou imaginação.Uma grande busca precisava ser empreendida no sentido de restabelecer a continuidade entre o homem e o objeto -ou mundo.Por divergências internas, o movimento português se viu fragmentado, o que resultou, então, no nascimento de Os Surrealistas, também denominado como Grupo Dissidente.É nesse conjunto que tem ação António Maria Lisboa, poeta que destacamos por ser, entre os outros, um dos que apresentam mais traços surrealistas em sua poesia.Além de ter participado das experiências coletivas do Cadáver Esquisito i , podemos reconhecer em sua obra poética individual técnicas surrealistas por excelência, como a escrita automática ou o inventário, além da utilização de imagens extremamente insólitas, criadas a partir da livre associação.Todas essas características da proposta bretoniana encontram lugar na poesia de António Maria Lisboa, costuradas, por vezes, por uma ironia extremada, que pode atingir o humor negro.As preocupações fundamentais surrealistas portam-se como pilares da obra poética de A. M. Lisboa.Sua via principal segue rumo à liberdade do homem.Elementos como o amor, o sonho, o humor, o exótico e o esoterismo surgem na sua poesia como meios de atingir a libertação total, levando-o, pela transcendência de uma noção rasa de realidade, a atingir uma vida plena, da qual se encontra exilado.A busca por essa "Verdadeira Vida de que nós somos os abortos", para António Maria Lisboa, ganha âmbito de uma viagem iniciática empreendida através de sua poesia (Lisboa, 1977: 23).
Language: Portuguese
Open Access status: bronze
OpenAlex ID: W2590962387
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