Work

Agostinho, o roubo das pêras e os porcos

Year: 1996
Type: article
Abstract: A principal sugeshão deste trabalho consiste cm tentar demonstrar que há alguns textos, cuja existência e eficácia dependem de dois factores que poderíamos apelidar de infelizes' 1 .O primeiro caracteriza-se por uma espécie de resistência estrutural dos enunciados a uma classificação e interpretação unívocas o não problemáticas.O segundo relaciona-sc com o facto de nesses mesmos textos se verificar a impossibilidade de se constituírem certezas ou de se definirem com clareza certas coisas como contextos, intenções, acções e outros textos, por exemplo.O mais interessante, na minha opinião, está nas palavras necessidade e persistência.O projecto ou a necessidade de escrever um texto implicam a presença do o a persistência nestas infelicidades, que são os predicados desse texto, i. e., quanto mais se percebem ou se suspeitam os dois problemas que enunciei, mais se persiste em dar-lhes solução.O resultado, contudo, não é reconfortante -podendo mesmo, penso eu, conduzir no desespero teórico ou, atitude mais saudável, a uma irónica o produtiva resignação -mas equivale a mais páginas, à progressão do texto.Assim, aquilo que, em última análise, pretendo demonstrar, através da leitura do uma história (o roubo das pêras) narrada no Livro II das Confissões de Agostinho, é que há certas infelicidades -em Teoria da Literatura elas são designadas por expressões como indecidibilidade ou ambivalência semântica, ambiguidade referencial, anomalia -que são necessárias e úteis, uma vez que permitem a escrita.Um dos problemas imediatos do texto de Agostinho relaciona-se directamente com o primeiro factor do infelicidade que referimos, i. e., com a '' Versão cto um capítulo de Como F.scrczvr /leçêes, tese de mestrado em Teoria da Literatura.Rnm.inic.l(1996) 5: 1S3-64
Source: Románica
Language: Portuguese
Open Access status: bronze
OpenAlex ID: W97857918
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