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O princípio da autoconfrontação na abordagem da Clínica da Atividade

Year: 2018
Type: article
Abstract: Dossiê Psicologia, modos de vida e trabalho: mobilizando um patrimônio de conceitos e autores IntroduçãoEstudar e intervir no trabalho não pode prescindir de considerar a sua complexidade, o que impede que se pretenda isolar esse objeto da situação concreta, do contexto e das dimensões históricas, sociais e subjetivas presentes nos meios e processos de trabalho.Com base nessa premissa, tem-se buscado no conceito transversal de atividade um ponto de vista que possibilite a articulação entre os saberes de diferentes disciplinas e abordagens pertinentes ao campo do trabalho, bem como entre esses e os saberes produzidos nas experiências das pessoas que trabalham.Na proposta pluridisciplinar da Ergonomia da Atividade, o constructo atividade tem sido amplamente utilizado para designar aquilo que é especificamente humano no trabalho (BÉGUIN, 2006).De acordo com essa tradição, o trabalho nunca é pura execução.Ele se desdobra em inúmeras experiências e situações singulares e concretas, marcadas pela variabilidade e imprevisibilidade dos estados do processo e dos operadores humanos, frente às quais as prescrições são sempre insuficientes (DANIELLOU; LAVILLE; TEIGER, 1989).Insuficientes especialmente porque elas se apresentam como normas estabelecidas em experiências de duração diferente e com trabalhadores distintos daqueles que delas fariam uso nas situações específicas de trabalho.É em função da constatação de que há essa distância permanente entre o que denominaram "trabalho prescrito" e "trabalho real" que os ergonomistas procuram colocar em evidência o trabalho que se faz efetivamente, tendo em conta as exigências e constrangimentos na confrontação de cada pessoa, singular e variável, com situações também singulares e variáveis.Como trabalho prescrito, referem-se ao conjunto de objetivos a serem perseguidos, os métodos, as normas técnicas, os protocolos e procedimentos, as ordens e instruções a seguir, a forma de divisão do trabalho, os prazos estabelecidos, assim como os meios técnicos e as condições socioeconômicas disponíveis (GUÉRIN et al., 2005).Como trabalho real, referem-se à adaptação do prescrito às situações reais de trabalho (BRITO, 2006), isto é, àquilo que se mobiliza do sujeito para que o trabalho seja realizado frente às situações reais, caracterizadas por seu dinamismo, instabilidade e imprevisibilidade.A atividade (de trabalho) é reconhecida como o que torna possível compreender a natureza dos problemas da forma como são vividos pelos trabalhadores e não apenas por uma visão externa.Nessa linhagem propõe-se uma modalidade de pesquisa-intervenção como coprodução dos profissionais de pesquisa e os do trabalho em questão, que articula a compreensão do existente com a ação sobre o futuro, contribuindo para a definição de uma situação de trabalho mais favorável (GUÉRIN et al., 2005).Essa modalidade caracteriza-se pela busca de dar visibilidade tanto às dificuldades quanto às táticas e estratégias desenvolvidas pelos protagonistas do trabalho para gerir a distância entre o prescrito e o real, engendrando-se as atividades de trabalho.No plano metodológico, desenvolve-se o método da Análise Ergonômica do Trabalho (AET), no interior do qual se situa a análise psicológica do trabalho, cujos começos na França e Bélgica -de Pacaud a Favergeforneceram bases para o desenvolvimento dessa tradição.
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2884036592
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